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domingo, 15 de maio de 2011

7º crime...

Quem é que ela enterrou?


Na pequena cidade mineira de McVey, no estado de Washington, Nels Stenstrom e a mulher, Anna, incluím – se entre os comerciantes mais trabalhadores, pois passavam, lado a lado, doze horas, todos os dias da semana, na sua loja.
Então entrou nas suas vidas uma misteriosa tragédia. A 5 de Junho de 1895, Nels Stenstrom desapareceu sem deixar rasto e houve logo quem dissesse que o homenzarrão era leviano e que, com certeza, se fora com outra mulher, mas ninguém queria falar nisso a Anna, porque ela era muito dedicada ao marido.
Anna, porém continuou a gerir a loja como se estivesse a seu lado, expandindo – a e tornando – a mais próspera.
No verão de 1902, Stenstrom foi declarado oficialmente morto, nesse mesmo dia Anna fez uma estranha declaração, que iria encher os jornais dos Estados Unidos: embora o corpo do marido nunca tivesse aparecido, disse, iria dar – lhe uma sepultura condigna e queria a urna, o cerimonial funerário e um serviço religioso condigno.
Era uma ideia tão invulgar que multidões de repórteres e espectadores curiosos acorreram à pequena cidade, pelo que a igreja já estava cheia quando o funeral começou, às duas e meia da tarde do dia 1 de Julho de 1902. Nels fora veterano da guerra e o caixão vazio estava exposto bem à vista, embrulhado na bandeira nacional. Após umas palavras ditas pelo pastor, vários amigos tomaram a palavra para elogiar o falecido.
Anna foi a última a falar, mas mal começara houve uma certa confusão entre a multidão. Um homem grisalho, vestido de farrapos, cambaleou pela coxia, soluçando agarrado ao peito. Alguns disseram que olhou implorantemente para Anna, antes de cair, inconsciente, no chão.
Ela, que foi a primeira a chegar junto dele, tomou – lhe o pulso, e as lágrimas caíam – lhe quando ergueu o olhar, só conseguindo dizer: “É Nels.”
O médico municipal assinou a certidão de óbito, espantado que aquele destroço alcoólico pudesse ter sido outrora o vigoroso Nels, e centenas de pessoas estavam presentes quando os restos do vagabundo foram levados até ao cemitério de Stentrom.
Contudo, a história teve uma incrível sequência.
Enquanto as cidades vizinhas de Roslyn e Cle Elum prosperaram, os veios de carvão tornaram – se fracos em McVey, que se tornou uma terra – fantasma, e assim, depois de Anna ter morrido e sido enterrada junto do marido, um empreiteiro comprou a loja para aproveitar a madeira velha.
Quando esta a demolir a casa, foram encontradas duas campas por baixo do soalho: dois esqueletos jazigam lado a lado e entre eles estava o machado que lhes rachara o crânio.
Um deles era de mulher e nunca seria identificado – tal como o vagabundo que jazia ao lado de Anna – e o homem era igualmente identificável… Seria o do verdadeiro Nels Stenstrom?

quinta-feira, 12 de maio de 2011

6º crime...

O Sherlock Holmes canino...

Mede cerca de trinta centímetros de altura e a sua conquista è o grande objectivo de algumas das maiores estrelas do desporto. Quer erguida em triunfo ou admirada de longe, a Taça Jules Rimet é o prémio dos prémios do futebol profissional.
Embalou os sonhos de centenas de nações, de jogadores lendários, como Pelé, e literalmente de milhares de fanáticos de todo o Mundo, que aclamam e gritam.
É mais vulgarmente conhecida por Taça do Mundo – um prémio recebido uma vez na vida, que é atribuído de quatro em quatro anos a um país e aos seus onze jogadores mais dotados e idolatrados – e na ocasião da entrega passa das mãos de reis, rainhas, presidente e primeiros – ministros para as dos jogadores.
Quando foi levada para Inglaterra, umas semanas antes do começo da Taça do Mundo de 1966, foi imediatamente roubada. A taça pela qual países rivais tinham durante anos lutado tão duramente, mesmo fora do campo de jogo, na arena política, desaparecera do Central Hall de Westminster, em Londres, quando estava em exposição, juntamente com valiosas colecções de selos o que foi considerado um escândalo internacional.
A Scotland Yard foi imediatamente chamada e nos parlamentos de todo o Mundo puseram – se questões, sendo oferecidas enormes alvíssaras por todo o tipo de organizações em troca da devolução da taça. Fora de Inglaterra, o ambiente era hostil e furioso, especialmente naqueles países onde, juntamente com a religião, o futebol é o escape do povo. Não se poupariam esforços não só para encontrar o troféu do futebol, como para desagravar o orgulho nacional, atingido por aquele roubo.
A polícia, a quem havia sido dada ordem de perseguição apertada ao ladrão ou ladrões da taça, foi parar a um beco sem saída. Parecia que o troféu se evaporara e a procura de pistas e suspeitos era amargamente frustrante. Não era provável que alguém a tivesse roubado para a derreter, pois o ouro de que era feita devia valer cerca de duas mil libras – apesar de estar segura em trinta mil -, mas o seu valor real era incalculável.
Os coleccionadores particulares, sempre dispostos a tratar com o mercado negro para adquirirem os seus tesouros secretos, pagariam uma fortuna para terem a lendária taça num cofre secreto, era essa a única teoria que a polícia se podia agarrar para ter qualquer esperança.
No princípio de Março de 1966, o Mundo susteve a respiração, enquanto prosseguia a desesperada procura da taça. O roubo constituía uma tragédia de enormes proporções para os dedicados adeptos do futebol, mas, mais do que isso, era uma situação delicada para a Inglaterra, que, pela primeira vez na história do desporto, era a anfitriã do prestigioso torneio.
Era vital que a taça fosse encontrada imediatamente.
Enormes títulos de jornal levantavam todo o tipo de questões, algumas delas impensáveis para a hierarquia da FIFA, a entidade que governa o futebol mundial. Estaria nas mãos de um milionário sem escrúpulos? Teria sido roubada e depois simplesmente atirada fora e perdida para sempre, quando o ladrão se apercebera da enormidade do crime? Achar – se – ia na posse de um sindicato de patifes, que esperavam vendê-la pelo lance mais alto? Teria sido derretida e destruída? As possibilidades eram infinitas.
A resposta veio, da forma mais inesperada, na noite de 19 de Março.
David Corbett, de vinte e seis anos, tripulante de uma barcaça do Tamisa, levara Pickles, o cão da família, a passear, perto de sua casa em Beulah Hill, Norwood, a sul de Londres, quando, pelo canto do olho, apanhou um reflexo, um brilho que durou apenas um segundo.
Viera do que parecia ser um trouxa de jornais velhos e sujos, que se encontrava debaixo do loureiro onde Pickles, um arraçado de collie, estivera a cheirar e a esgravatar com grande interesse. Corbett chamou o cão, mas este não veio.
Como David Corbett recordaria mais tarde: “curvei – me sob o loureiro, levantei a primeira camada de jornais e ela lá estava. Descobri logo o que era: a Taça do Mundo. Acho que a primeira coisa que vi foi a inscrição, as palavras “Brasil 1962” escritas perto da base. Sou adepto de futebol e tinha seguido todos os relatos dos jornais. Podem imaginar como fiquei perplexo.
Levei – a para o nosso apartamento, mostrei – a à minha mulher, Jeannie, e depois telefonámos à polícia que ficou tão perplexa como nós. A verdade é que não teria deitado uma segunda olhadela ao molho de jornais se não fosse o Pickles, foi ele o verdadeiro herói.”
E realmente foi. Gente amiga dos animais começou a enviar de todo o Mundo prendas para o investigador canino e a Liga dos Amigos dos Amigos dos Animais de Inglaterra condecorou – o com a sua mais alta distinção: uma medalha de prata em que estavam gravadas as palavras: “ Ao Pickles, pelo seu papel na descoberta da Taça do Mundo, 1966”. Na cerimónia, foi dito pelo secretário da Liga: “Com o seu acto, Pickles chamou a atenção sobre o mundo canino e assim ajudou a nossa tarefa.” 
Na mesma cerimónia – e houve muitas em honra de Sherlock Holmes peludo – um paquete de hotel avançou com uma salva prateada, onde vinha mais presentes: trazia um osso de borracha, cinquenta e três libras que conseguira juntar entre o pessoal do hotel e o melhor bife que o Pickles já vira.
Contudo alheio à importância da ocasião, o cão deitou – se e bocejou.
Mas a pergunta sem resposta era: quem roubou a Taça do Mundo? À qual, apesar das suas aturadas pesquisas a polícia nunca responderia.
Porém, como em todos os crimes por resolver, quando o dedo da suspeita se ergue e aponta, há sempre gente que vai sofrer, e isso, espantosamente, foi o triste destino do próprio dono de Pickles. Menos de dois meses depois de a sua atenção ter ajudado a recuperar o troféu, Corbett disse a um jornal: “ Quem me dera nunca ter encontrado aquela porcaria. Na altura fiquei muito entusiasmado com o caso, mas desde então só tive aborrecimentos.
Quando a entreguei à polícia, a princípio pareceram não acreditar na minha história de Pickles a ter achado debaixo do loureiro. Apertaram – me, perguntaram – me onde estava no dia em que a taça foi roubada, se coleccionava selos, se alguma vez estivera no Central Hall, em Westminster, etc. a certa altura acreditaram em mim, mas os problemas não foram só com a polícia pois as pessoas começaram a suspeitar de que eu estava envolvido no roubo da taça. Certo dia, a minha mulher e eu passávamos por Trafalgar Square quando um grupo de rapazes nos viu e gritou: “Foi ele que a roubou. Vamos afogar o cão no lago.” Foi horrível”.
Claro que por fim Corbett foi completamente ilibado, tendo até recebido uma recompensa de seis mil libras, e se não assistiu à final da Taça do Mundo, participou no êxito de Pickles quando permitiu que o cão fosse conhecer os elementos de um das equipas finalistas, a Alemanha Ocidental, e todos eles lhe quiseram para terem sorte, esperando também “achar” a Taça no final do jogo.
Mas não seria assim, a Inglaterra ganhou o troféu e, graças a Pickles, que infelizmente morreu quatro anos depois, apagou o episódio mais embaraçoso da história do futebol.    

domingo, 8 de maio de 2011

5º crime...

A viúva negra... 

Para uma mulher que nada fazia, a viúva Belle Gunness vivia muito bem. Enquanto os vizinhos, em La Porte, Indiana, cultivavam os seus campos, Belle enterrava corpos e ganhava um montão de dólares.               
Fora outrora mulher de Mads Sorenson, mas, graças a uma caneca de cerveja que dera ao marido, o casamento não durara muito. A bebida estava generosamente temperada com estricnina e a viúva mandou cremar o Mads antes que os investigadores dosa seguros se apercebessem do que acontecera. A companhia objectou, mas a viúva acabou por receber oito mil e quinhentos dólares.
Não teve problema em arranjar outro marido, pois aos trinta e um anos, Belle era ainda uma mulher atraente, o que seria fatal para o agente de vendas de propriedades Petter Gunness, de La Porte. Belle casou com Gunness e teve três filhos, duas raparigas e um rapaz, e uma vida com a qual estava satisfeita até o dinheiro se acabar.
Um dia, e, Dezembro de 1902, Gunness disse a Belle que ia recorrer ao seu ultimo bem: uma apólice de seguro de dez mil dólares, pois investira tudo quando tinha em opções propriedades próximo de uma hipotética linha de caminho de ferro que nunca fora construída. Belle ajudou – o a encontrar a apólice e foi despedir – se dele à porta, mas quando ele se virou para lhe dar um beijo ergueu o machadinho da carne e esmagou – lhe o crânio.
A polícia, crédula, aceitou a história de que Gunness escorregou no patamar coberto de gelo e abrira a cabeça no degrau e abrira a cabeça no degrau da porta, mas os peritos da seguradora mostraram – se mais duvidosos e houve uma investigação que durou quatro meses antes que a assassina pudesse receber o dinheiro do seu segundo marido.
 Belle começou então a pôr anúncios nas colunas do “Correio Sentimental” dum jornal de Minneapolis. O isco era a sua sumptuosa casa de doze assoalhadas, numa quinta de senta e cinco acres, “ao lado de uma alameda”, e ainda mais tentador para os homens gananciosos ou solitários eram os encantos pessoais que apregoava. Escolheu cuidadosamente as respostas : queria homens sem parentes…e com muito dinheiro.
George Berry, de Tusca, foi o primeiro, em Julho de 1905. Trouxera obedientemente a sua poupança de mil e quinhentos dólares, em dinheiro, mas ficou surpreendido com o aspecto  de Belle , que entretanto engordara, se bamboleava e tinha um tufo de pelos sobre o lábio. Ela, no entanto, levou – o ao engano, da estação até casa, afirmando – lhe que era criada da bela viúva, e enquanto ele esperava pacientemente que esta aparecesse, Belle aproximou – se por uma porta lateral, com um machado bem afiado na mão.
No ano seguinte a casa recebeu outros três visitantes, todos eles trazendo o seu pecúlio, e nenhum deles voltou a sair.
Em 1908, o fosso da viúva negra recebeu mais dois corpos, e um era de Andrew Helgelien, que lhe escrevera de Aberdeen, Dakota do Sul, mas que preferia esconder – lhe que tinha um irmão mais velho chamado Asle.
Ao fim de duas semanas sem ter notícias do irmão, Asle escreveu à viúva a fazer perguntas mas esta respondeu dizendo que Andy desaparecera misteriosamente e pedindo a Asle que fosse a La Porte e a ajudasse na busca com todo o dinheiro que pudesse juntar. Contudo, quem apareceu não foi Asle, mas o xerife de La Porte, que aquele, cheio de suspeitas avisara. A viúva tentou ganhar tempo, afirmando que tivera notícias de Andy e que poderia mostrar – lhe o desaparecido se lá voltasse no dia seguinte.
No entanto, o xerife teve de voltar ao local do crime antes de o dia acabar, sendo recebido por uma cortina de fumo que se elevava no céu. Era a casa de Gunness, que, por ser feita de madeira, ficou reduzida a cinzas numa questão de minutos. Sob a terra recentemente mexida por trás do celeiro, o xerife descobriu seis corpos – entres eles Andrew Helgelien – e nos escombros da casa havia mais quatro corpos: três pequenos e um grande?

As autoridades assim queriam acreditar, mas surgiram provas que significavam que não se podia fechar o processo de Belle Gunness: uma testemunha disse que, uma hora antes de o fogo deflagrar, vira a viúva passar na estrada com uma carroça puxada por uma parelha de cavalos, e no dia seguinte, num dos cemitérios próximos, verificou – se que as campas de um adulto e três crianças haviam sido esvaziadas, num macabro acto de vandalismo.
Incansavelmente, até ao fim da vida, Asle Helglien continuou à procura da viúva, mas nunca a encontrou.  

segunda-feira, 25 de abril de 2011

4º crime...

O computador vigarista...


Um crime impune é geralmente classificado como perfeito, mas, muitas vezes, isso acontece graças à combinação de um mau planeamento com a sorte de um criminoso, ajudado ainda, às vezes, por uma deficiente investigação da polícia. O verdadeiro crime perfeito é aquele que nunca é sequer detectado, nem reconhecido como o acto criminoso.
E na demanda do criminoso, da perfeição na ilegalidade, muitos encontraram um novo cúmplice que nunca se enerva com medo de ser apanhado ou castigado, que não tem cadastro, que não deixa impressões digitais e nunca exige parte do “bolo”… O computador, um cérebro electrónico sem escrúpulos nem moral, é o parceiro perfeito do crime.
No princípio da década de 80 calculava – se que havia trezentos mil computadores a funcionarem em empresas dos Estados Unidos, Europa e Japão, a fazerem malabarismos com enormes quantidades de dinheiro e bens, todas as semanas. Ao contrario dos caixas e dos empregados dos bancos, com todas as fragilidades e tentações, os computadores nunca se enganam nas somas e não têm dedos pegajosos que se colam a caixa registadora.
A decisão do computador todo – poderoso é final, quer seja na satisfação de um pedido de pagamento de um cliente que discute a conta, quer na emissão de grandes quantias, em facturas, que apurou para pagamento. O computador está acima de qualquer suspeita.
Não admira, pois, que não tenha levado muito tempo a que os criminosos descobrissem o potencial papel que o computador poderia desempenhar do seu lado, já que a sua infalibilidade lhe forem fornecidos dados viciosos, obter – se – ão no fim instruções impecavelmente viciada e ninguém duvida das ordens que a máquina dá.
Foi isso que o jovem burlão Jerry Schneider descobriu quando se tornou milionário ao enganar o computador principal da Pacific Bell Telephone Company de Los Angeles, em 1972. O crime de Schneider ainda está por explicar e só ele sabe exactamente como enganou o cérebro electrónico, pois os registos nada revelam.
O rapaz, de vinte e um anos, que acabara o curso do liceu, lutava para organizar o seu próprio negócio de fornecimento de equipamento telefónico, quando descobriu códigos secretos que lhe permitiam interferir no computador que controlava os stocks dos armazéns da Pacific Bell, na Califórnia8.utilizando o seu próprio terminal de computador, em casa, Scheneider persuadiu o controlador eléctrico de que era um empreiteiro perfeitamente legal da companhia dos telefones e começou a encomendar fios muito caros e material de substituição, ao armazém.
O computador aceitava as suas instruções e mandava colocar materiais caros por toda a Los Angeles, muitas vezes nas ruas, e o pessoal da entrega deixava os enormes caixotes nos locais indicados, pensando que outro grupo de trabalhadores viria para instalar o equipamento, e nem esperando para assistir a essa operação.
Scheneider, com a sua viatura pintada de forma a parecer da companhia de telefone, apanhava o material e depois ao voltar a casa, interferia mais uma vez no computador para apagar todas as operações da memória eléctrica.
Com a sua concorrente gigantesca a fornecer – lhe material gratuitamente, o negocio de Scheneider floresceu até que, tolamente, certo dia recusou o aumento de ordenado pedido por um dos seu empregados, que o foi denunciar à polícia. Mesmo depois da sua prisão, os funcionários superiores da companhia recusaram – se a acreditar que Scheneider tivesse desviado um milhão de dólares de equipamento em menos de um ano, pois se o computador lhes dizia que nada faltava, não estava preparados para discutir com ele. Assim, só após de os investigadores da polícia terem feito pessoalmente uma inspecção aos armazéns e somado os stocks a maneira antiga, com papel e lápis, é que a administração da companhia acreditou nos prejuízos.

Contudo Scheneider passou apenas umas semanas na prisão, já que a Companhia dos Telefones retirou a queixa, depois de ele lhe ter fornecido uma lista secreta dos pontos fracos por onde se podia interferir no seu sistema.
Ao ser libertado, Scheneider estabeleceu – se com um novo negócio, como um dos mais bem pagos consultores de informática de toda a América, revelando o segredo do seu crime por elevadas quantias e pesquisando os cérebros electrónicos dos computadores dos seus clientes, à procura de pontos fracos por onde poderiam penetrar operadores desonestos e roubar por controlo remoto.
Como dizia Jerry Scheneider: “ Muitos dos meus clientes já foram roubados sem terem dado por isso. Perderem milhões de dólares através de manipulação de computador e os culpados nunca poderão ser descobertos, porque apagaram a prova dos seus crimes.”
Quem precisa de se arriscar a saltar sobre o balcão de um banco, com um espingarda de canos serrados, quando, sentado no conforto da sua casa, pode roubar muito mais dinheiro a um banco, usando apenas o telefone e um terminal de computador?
O FBI calcula que, nos Estados Unidos, a quantia média roubada a bancos em assaltos à mão armada é de dez mil dólares de cada vez, mas a média das burlas feitas electronicamente aos mesmos bancos atinge quinhentos mil dólares, dos quais apenas uma percentagem mínima é descoberta e explicada.
Em 1908 calcula – se que os crimes de informática renderam nos Estados Unidos e no Mercado Comum cerca de duzentos milhões de libras por ano e que estavam a aumentar rapidamente.
A polícia de Nova Iorque ainda anda à procura do simpático que cometeu uma fraude infantil por computador, ao assinar um acordo de empréstimo com um banco, no montante de vinte mil dólares para comprar um carro. O computador pagou ao stand e os documentos de propriedade do veículo ficaram no cofre do banco, como garantia do pagamento. Uns dias depois, o orgulhoso condutor recebeu a sua caderneta de pagamento do empréstimo, com doze cupões mensais parta serem processados pelo computador, à medida que ele fosse pagando as prestações.
O jovem ignorou os primeiros onze cupões, enviou pelo correio o décimo segundo, dando assim ao computador uma ordem de pagamento para a data que era enviada a primeira prestação, e depois esperou.
Nada há mais cego que uma máquina infalível. O computador reconheceu apenas o código da tinta magnética como sendo da décima segunda prestação, portanto a última, e, com impecável eficiência, enviou ao dono do carro uma carta muito simpática a agradecer – lhe o pagamento do empréstimo, assim como os documentos do carro e uma declaração impressa que aumentara a sua taxa de credito bancário.  
Mais de um mês depois, um funcionário do banco, muito intrigado, procurou o cliente na sua morada por causa de uma prestação atrasada, mas o apatamento estava vazio e o brilhante Cadillac já fora vendido a um negociante de automóveis, que aceitara, satisfeito e legalmente, a decisão do computador de que o carro estava pago e era propriedade do jovem condutor, que queria vendê – lo a pronto, para uma operação ao pai, que era um doente crónico. O misterioso condutor nunca mais foi descoberto, apesar das intensas buscas.
Outra fraude espantosamente fácil deu um lucro de trezentos e cinquenta mil dólares, numa só semana, à bela divorciada que abriu conta, com duzentos dólares, num banco de Miami, Florida. Planeava comprar uma casa luxuosa perto da praia, explicou, logo que a sua parte da partilha do divórcio lhe fosse dada pelo ex – marido. O banco forneceu – lhe, de boa vontade, um livro de cheques e talões de depósito com o número da sua conta, impresso, num canto, a tinta magnética.
Ninguém reparou contudo que ela parou no balcão, ao sair, donde retirou uma mão cheia de impressos de depósitos em branco, que havia num expositor, para facilitar a vida aos clientes que se tivessem esquecido de trazer os seus livros de cheques e de talões.
Não se sabe como (e o mistério nunca foi publicamente explicado) a jovem loura imprimiu o número da sua conta, com tinta magnética, no canto esquerdo de todos talões de depósito em branco, mas fê – lo, e dias depois voltou ao banco e meteu os impressos falsificados no mesmo expositor donde os havia tirado.
Durante os cinco dias seguintes, os clientes apressados que se tinham esquecido de trazer os seus talões pré – impressos retiraram os talões aparentemente em branco e depositam no banco os seus ganhos e poupanças. O computador estava programado para enviar os impressos preenchidos a caneta para o cesto de compilação, a fim de serem conferidos manualmente, mas reconheceu de imediato de números a tinta magnética e, fielmente, creditou todo o dinheiro na conta da divorciada. Esta, quando voltou, mais uma vez ao banco, passados uns dias, encontrou a “casa dos seus sonhos”, e ia acompanhada por um amigo muito forte, que levava uma pasta com fecho de segurança.
Levantou tudo, excepto algumas centenas de dólares, angariando assim trezentos e cinquenta mil dólares que lhe tinham sido “dados” por clientes confiantes, os quais ficaram desesperados ao descobrir ao fim do mês, pelos seus extractos bancários, que o dinheiro ganho com tanto trabalho não lhe fora creditado na conta. Quanto à loura e ao seu amigo, não mais foram vistos.
Um outro burlão mais ambicioso utilizou como cúmplice involuntária a sua inocente namorada, para enganar o computador de um banco de Washington, 1981.
O homem de meia-idade, muito viçoso, gabava – se de ser um comerciante de mobiliário de São Francisco que em breve criaria mais empregos em Washington, quando encontrasse o local para construir a sua nova fábrica. Assim, o banco recebeu – o de braços abertos como um futuro bom cliente, quando abriu a sua conta e lhes disse que esperassem um deposito de vulto que viria da  sua empresa, na outra costa.
Fiel à sua palavra, uns dias depois o banco de S. Francisco emitiu uma ordem de transferência, por computador, de dois milhões de dólares para Washington. O fabricante de imobiliário apresentou – se prontamente no banco levantou o dinheiro e partiu “em busca do local a desenvolver”. Contudo, como não aparecesse mais e como o depósito em dinheiro não chegasse de S. Francisco, os investigadores do banco começaram a tentar localizar a mensagem electrónica; esta tivera origem num terminal no banco S. Francisco onde operavam três empregadas, as quais negaram saber algo sobre a transferência. No entanto, disseram ao investigador que uma quarta mulher se despedira do emprego havia apenas algumas semanas, muito deprimida devido a um caso de amor fracassado.
Muito chorosa, a mulher contou, após ser localizada, como o seu namorado, de meia idade, lhe prometera casamento depois de ir, por pouco tempo, a Washington, para contar a família e aos amigos que fizera fortuna na Califórnia. Ela explicou queo namorado era muito divertido, gostava de contar anedotas e até a convencera a mandar, por brincadeira, um telex a um banco de Washington para lhe creditarem dois milhões de dólares, a fim de impressionar os amigos e a família.
 A mensagem de telex fora a única recordação que o banco guardara do burlão. O computador pagara sem precisar de ver o dinheiro, nem contar laboriosamente pilhas de notas novinhas, como faria um caixa humano, aborrecido e mal pago. Para o computador uma série de sinais, numa linha telefónica, era o mesmo que dinheiro no banco.
Contudo, o premio do maior burlão de computadores da nova era electrónica seria com certeza atribuído ao génio de Nova Iorque que foi capaz de interferir num computador municipal que não controlava dinheiro, nem stocks valiosos, nem sequer informações importantes.
O computador AM Tote 300, da pista de corridas de cavalos, é apenas de uma máquina de somar que totaliza a quantia apostada em cada dia com um precisão que vai até aos cêntimos.
Como o lucro das apostas da Tote contribui para o rendimento da cidade Nova Iorque, esse número e geralmente publicado nos jornais, mas é apenas uma estatística que varia todos os dias, segundo o negócio feito nas corridas.
A soma final apresentada pelo imparcial computador é considerada correcta mesmo pelos materialistas homens de negócios da Máfia, e esse total diário é o fulcro da sua empresa de apostas ilegais, cujos persuasivos vendedores oferecem diariamente um bilhete de lotaria em que o jogador pode escolher três dígitos que pensa que formarão os três últimos números do total das apostas do dia.
As hipóteses de acertar nos três números são de mil para um, mas os organizadores pagam sobre uma base de quinhentos para um, tirando um lucro de cerca de metade dos três milhões que os Nova – Iorquinos apostam no jogo ilegal todas as semanas.
A 30 de Setembro de 1980, uma multidão de vinte mil jogadores passou um dia nas corridas e apostou um total de 3 339 916 dólares e no dia seguinte os agentes das apostas da Mafia pagaram duzentos e cinquenta mil dólares aos felizardos que tinham escolhido os três últimos números.
Uns dias mais tarde os auditores que tratavam das contas das corridas anunciaram que o computador se enganara em três dólares e alteraram o último algarismo para nove, obrigando os agentes da Mafia, que já haviam pago com base no número anterior e pagarem outra vez, generosamente, sobre o novo, gesto que melhorou a sua reputação como indivíduos honestos, com quem se podia negociar.
Então os auditores levaram a cabo uma inspecção ao computador Tote 300 e, ao compararem os seus totais com o dinheiro realmente depositado no banco, verificaram que, em seis meses, ele fornecera respostas erradas oitenta vezes. A sua simples máquina de somar aceitara algarismos que lhe eram metidos por um operador de computador desonesto, que mudava o seu registo electrónico para os números que queria, enganando assim a Mafia wm vinte milhões. 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

3º Crime...

Um voo fatal...

Dois aviões que transportavam cento e dezasseis passageiros desapareceram misteriosamente nos Andes e os investigadores acreditam que ambos foram vítimas de pirataria.
Um aparelho das linhas aéreas Saeta, com cinquenta e nove passageiros a bordo, deslocou de Quito no Equador, a 15 de Agosto de 1976, para um voo de quarenta e cinco minutos até à cidade de Cuenca, mas desapareceu sem deixar rasto.
Dois anos mais tarde outro avião também da Saeta partiu com cinquenta e sete passageiros, mais uma vez em direcção a Cuenca, passou pela mesma estação de rastreio que o seu homónimo de 1976 e depois desapareceu. Intensas buscas não revelaram sinais do aparelho nem dos passageiros, mas um interrogatório levado a cabo em Quito, cinco camponeses e um professor declararam sobre juramento que viram o segundo avião desviar – se de repente do seu curso normal para sul e dirigir – se para noroeste.
O major Carlos Serrano, o presidente da Saeta, uma das três companhias aéreas de voos domésticos do Equador , sustentava a tese  de que os dois Vickers Viscount tinham sido desviados, dizendo que podiam estar envolvidos no caso traficantes de droga.
“São os aviões ideais para eles”, afirmou “percorrem longas distancia, aterram em pistas curtas e, tirando – lhes os assentos, podem transportar doze mil toneladas de carga”
As buscas dos dois aviões envolveram patrulhas da Força Aérea do Equador e do Exército do Equador, um avião de reconhecimento C – 130 da Força Aérea Norte Americana e um helicóptero com dispositivos de raios laser, mas não tiveram êxito. O comandante Reinaldo Lazo, oficial da ligação com os Estados Unidos, disse depois que a tripulação do C – 130 não havia chegado a conclusões após semanas de intensas pesquisas. 
Por sua vez, James Kuykendall, representante no Equador do Departamento de Controle da Droga nos Estados Unidos, revelou que encontrara entre os nomes dos passageiros dos aviões desaparecidos alguns que já tinham cadastro por trafico de droga, acrescentando que o seu departamento não fazia ideia do que sucedera aos passageiros.
No entanto,  o major Serrano, da Saeta, está mais seguro, afirmando crer que eles foram postos a trabalhar na colheita de marijuana. Os desaparecidos incluíam setenta e quatro homens, trinta e seis mulheres e seis crianças e havia desde trabalhadores rurais, a médicos e advogados.
Guillermo Jaramillo, um advogado de Quino cujo filho de trinta e nove anos, ~Ivan, desapareceu no segundo voo, organizou uma comissão de famílias para aprofundar o mistério, a qual juntamente com a Saeta ofereceu trezentos e vinte e cinco mil dólares de recompensa por informações… que nunca foram fornecidas. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

2º Crime...

"As ruas do medo" - Jack, o Estripador

Ele espalhou o terror, o medo e o pânico nas ruas londrinas de East End e bastava mencionar o seu nome para que, num bar barulhento, se fizesse silêncio.
Jack, o Estripador, era como chamavam a esse perverso e misterioso assassino que assaltava as mulheres a quem a pobreza forçava a vender o corpo, por umas moedas, em becos e ruas escuras.
O reinado de terror de Jack, o Estripador, dói felizmente curto. Três meses depois de ter atacado pela primeira vez, numa quente noite de verão, há um século, fez a sua última vítima.
Diz-se que assassinou pelo menos cinco mulheres e alguns criminologistas crêem que o número verdadeiro é onze, mas a sua identidade permaneceu sempre um mistério. Os arquivos da Scotland Yard sobre o caso só serão tornados públicos em 1992, mas não se espera que lancem alguma luz sobre o misterioso atacante.
Tudo quanto se sabe é que o Estripador sabia de medicina e era canhoto, segundo notaram os médicos que examinaram os restos mortais das suas vítimas, e crê – se que se tratava de um homem, alto, magro, pálido e de bigode preto. Várias pessoas, incluindo um polícia, viram um homem assim afastar – se apressadamente dos lugares onde se havia dado os crimes, e em todos os casos afirmaram que usava um boné e um casaco comprido e que caminhava com passo largo e vigoroso de homem novo.
O terror começou pouco depois das cinco da manha de 7 de Agosto de 1888, quando encontrou o corpo mutilado de uma mulher no patamar de um prédio.
 Foi identificada como Martha Turner, prostituta, e havia sido esfaqueada várias vezes.
O assassínio de prostitutas não era coisa rara em East End, nesse tempo – as docas de Londres estavam sempre cheias de barcos de todo o mundo e marinheiros estrangeiros enchiam os bares e os pobres antros à beira – rio -, mas a mutilação era invulgar. E quando, vinte e quatro dias depois, ocorreu um assassínio semelhante, o medo fez gelar as noites quentes de fim de verão.
O corpo de Mary Ann Nicholls, conhecida por Pretty Polly, foi encontrado às primeiras horas da manhã de 31 de Agosto. Mary andara a tentar ganhar quatro dinheiros, talvez o preço de uma cama de pensão, e mais uns cobres para uns copos de gim. Quando foi vista pela primeira vez, havia sido abordado por um homem, alto e pálido e desapareceu na sombra com ele, sendo encontrada com a garganta cortada e o corpo selvaticamente mutilado.
Um detective comentou: “ Só um louco podia ter feito isto.”
E um médico da polícia acrescentou: “Nunca vi um caso tão horrível.”
Uma semana mais tarde, o Estripador, atacou novamente, matando Annie Chapman, que tinha quarenta e sete anos e estava a morrer de tuberculose. O seu corpo, esvaziado dos intestinos, foi encontrado por um carregador do mercado de Spitalfields, tendo ao lado, ordenadamente dispostos, os seus poucos haveres.
A 25 de Setembro, dezoito dias depois da morte de Annie, chegou uma carta à Central New Agency, de Fleet Street, que dizia assim:

                Caro chefe: continuo a ouvir dizer que a polícia me apanhou, mas não me caçaram ainda… Ando atrás de um certo tipo de mulheres e não pararei de as estripar até poder.
Belo trabalho, o último, nem dei à senhora tempo para gritar. Adoro este jogo e vou voltar a ele. Tomarão a ouvir falar de mim em breve, das minhas brincadeiras.
Depois do meu último trabalho, guardei um pouco de liquido vermelho numa garrafa de cerveja, para lhes escrever, mas ficou espesso como cola e não pude usá-la. A tinta vermelha serve, espero. Ha, ha! Da próxima vez corto as orelhas à vitima e mando-as à polícia só para me divertir.


A carta estava assinada por Jack, o Estripador e foi a primeira vez que o nome foi usado, imortalizando este perverso e misterioso assassino das ruelas de Londres.
A vítima seguinte foi Elizabeth Stride, conhecida por Long Liz, cujo corpo foi encontrado por trás de um portão de uma fábrica, por um polícia, numa manhã de domingo, dia 30de Setembro. Não fora mutilada e os investigadores suspeitaram, de que o Estripador tivesse sido perturbado quando ia executar a sua sinistra tarefa.
Contudo, depressa encontrou outra vítima e deixou a única pista clara da sua identidade: os restos ensanguentados de Catherine Eddowes, de quarenta anos foram encontrados a cerca de um quilómetro e meio do local onde o corpo de Liz aparecera. Era a vítima mais horrivelmente até então: as orelhas tinham sido cortadas e um rasto de sangue que partia do corpo ia até à parede onde se lia, a giz: “Os judeus não são homens que se deixem culpar impunemente.”
Contudo, esta pista não foi examinada com cuidado, pois Sir Charles Warren, chefe da polícia urbana, temendo provocar uma reacção de anti – semitismo violento, mandou – a apagar e mantê – la secreta.Os botos enchiam as ruas.
Alguns diziam que o Estripador trazia os seus instrumentos de morte numa maleta preta, e qualquer transeunte inocente que levasse uma maleta assim corria o risco de ser linchado pela multidão louca de medo.
Era um marinheiro… um carniceiro judeu… um médico louco… um russo mandado pelo czar para causar perturbação em Londres… um puritano decidido a limpar as ruas do vício… uma parteira louca que odiava prostitutas.
Alguns diziam que o Estripador devia ser um polícia – e que por isso podia vaguear pelas ruas de noite, sem se tornar suspeito – e uma teoria mais ousada dizia que ele era o neto mais velho da rainha Vitória, o príncipe Albert Victor, duque de Clarence.
O Estripador fez a sua última vítima, Mary Kelly, uma loura de vinte e cinco anos, a 9 de Novembro, a qual ao contrário das outras, era nova e atraente. Uma das últimas pessoas a vê – la viva foi George Hutchinson, quando ela lhe pediu dinheiro para pagar a renda. Ele disse que não podia ajudá – la e reparou que se aproximava um homem bem vestido, de bigode bem aparado e um chapéu de feltro de copa baixa.
No dia seguinte, quando o homem que ia receber a renda, bateu à porta de Mary, não obteve resposta, mas vendo a janela do quarto aberta, estendeu o braço e afastou a cortina de estopa. Olhou o horrível espectáculo que se lhe deparou e saiu a correr à procura do senhorio, dizendo mais tarde: “Toda a vida serei perseguido por aquilo.”
Com a morte de Mary, o reinado de crimes horrendos acabou como começara e, mais tarde dois criminosos confessos afirmaram ser o Estripador. Um, que envenenou a amante, disse ao ser preso: “Apanharam por fim, Jack, o Estripador”, mas não havia provas para apoiar a sua confissão.
Outro assassino também condenado à morte, quando se abriu o alçapão do cadafalso, gritou: “Sou, o Jack, o…”, porém estava na América quando os crimes ocorreram.
Alguns polícias julgavam conhecer a entidade de o estripador e o vice comissário da polícia urbana disse em 1908: “Ao dizer que era um judeu polaco estou a afirmar um facto definitivamente assente.”
O inspector Robert Sagar, que estivera metido no caso e morreu em 1924, escreveu nas suas memórias:
“Tínhamos boas razões para suspeitar de um homem que vivia em Butcher’s Row, Aldgate, e vigiávamo – lo atentamente. Não havia dúvida de que o fulano era louco e a certa altura os amigos acharam que devia ser internado num manicómio. Depois de o ter sido, não houve mais atrocidades de Jack, o Estripador.”
Autor e locutor

quarta-feira, 16 de março de 2011

1º Crime...

Passamos agora a colocar semanalmente no nosso blog uma história do livro "Grandes Crimes" da humanidade.
O primeiro crime, que se situa no capítulo dos "Crimes se explicação", denomina-se:

"Anúncio para a morte" - Josephine Mary Backshall 

A voz  ao telefone era suave, fluente e persuaasiva... e Josephine Backshall foi instantaneamente envolvida numa teia de amistosa familiaridade. Conhecia a voz de quem falava e esperava com ansiedade que telefonasse. Afinal, estavam a ajudá-la a ganhar cem libras, uma elevada soma “para os seus alfinetes”, que iria alterar grandemente o orçamento familiar.
Nada havia de minimamente sombrio no trabalho em “part-time”, como modelo, de que Josephine começava a gostar. Aliás, só o facto de o pequeno anúncio que publicara num jornal local poder resultar em algo de anormal era coisa que nem passava pela cabeça daquela dona de casa de trinta e nove anos, mãe de três filhos, que cantava no coro da igreja e era chefe do grupo de escuteiros da cidade. E ter-lhe-ia parecido demasiado insultuoso admitir a hipótese de que haveria alguma intenção menos honesta no homem que respondeu ao seu anúncio e que, numa “sessão experimental”, a fotografara no relvado da sua casa muito arranjada e muito classe média, que se situava, um pouco afastada das outras, em Maldon, Essex. Dissera ao marido que o homem parecia "bom rapaz" e ao falar com ele novamente pelo telefone de que lhe oferecia o que seria o seu mais bem pago trabalho até então: cem libras por sessão por posar para uma firma de cosméticos de pouca categoria.
O homem tinha uma voz calma e contida, dando a impressão de ser uma pessoa muito agradável. Combinaram então um encontro ao fim da tarde e ao despedir-se do marido e sair de casa, Josephine não imaginava que o fazia pela última vez.
Três dias mais tarde, cerca do meio-dia de sexta-feira, 1 de Novembro de 1974 foi encontrada porta por estrangulamento.
O seu corpo fora atirado  para uma lagoa pouco funda, perto de uma solitária alameda. Tinha as mãos atadas à frente, com um bocado de corda, e uma corda idêntica apertava-lhe o pescoço.
Josephine Backshall, a boa vizinha que frequentava a igreja e tinha uma vida de prazeres simples, morrera porque confiara num homem misterioso, cuja identidade a Polícia gastou mais de cem mil horas a tentar descobrir, sem uma única pista que a pusesse no rasto de um "pássaro" o que fez do caso um dos crimes por esclarecer mais estranhos de Inglaterra.
Nada menos do que quarenta investigadores foram destacados para trabalhar durante um ano, na maior e mais decepcionante das inquirições do género, e mais de dezanove mil pessoas foram entrevistadas. Todas elas tinham por nome próprio Pete ou Dave e o apelido Thomson ou Johnson, pois era a combinação desses nomes que adaptava às pistas que Josephine dera à família e aos amigos a quem falara do homem com a máquina fotográfica que a contratara, não como ela julgava, para modelo em part-time , mas para vítima de um assassínio brutal cujo móbil nem sequer foi alguma vez desvendado.
Milhares de matrículas de carros foram cuidadosamente examinadas pela Polícia, ao tentar descobrir o carro possivelmente um Ford, que foi visto a afastar-se da cervejaria Fountain, em Good Easter, Essex, na noite em que Josephine teve o encontro fatal com o seu assassino.
Os investigadores apuraram que Josephine o homem em que tão facilmente confiara tinham parado ali para tomar uma bebida - um cerveja cada um - cerca de uma hora depois de ela ter saído de casa. Calculava-se que ele a tivesse levado ali depois de ela ter "um jantar de negócios" num restaurante chinês - conclusão que se baseava no facto de o médico-legista ter descoberto resíduos de comida chinesa no estômago da vítima.
A mulher do dono da cervejaria foi a última testemunha do encontro entre o assassino e a Josephine, quando viu o casal na sala do Fountain. "Só o vi de relance" disse ela. "Era um homem alto, cuja cabeça chegava à fila de canecas de cerveja que estavam penduradas sobre o bar. Nunca me encarou e, pensando melhor, parecia que tentava que ninguém o visse bem."
Mrs. Jones identificou Josephine através de umas fotografias de férias da família, que os investigadores lhe mostraram: "Lembrei-me logo dela, era uma mulher atraente. Sentara-se ao canto do bar com um homem e parecia totalmente à vontade."
Durante meses, os investigadores mantiveram secretos os pormenores do encontro no Fountain, na expectativa de que o assassino voltasse ao mesmo local, mas foi uma esperança frustrada.
Outra possível pista que os inquiridores tiveram de explorar foi uma ligação com a França, pois uma mulher-polícia atenta encontrou uma amostra de cosméticos, no quarto de Josephine, pertencente a uma gama que fora importada de França, em quantidades limitadas, antes de entrar em distribuição. Teria o assassino usado Josephine como "cobaia" daqueles novos cosméticos?
Mais uma vez o inquérito a nada levou, bem como a investigação minuciosa a todos os estúdios fotográficos de Inglaterra e de França donde o assassino podia ter saído, tentado pelo anúncio posto por Josephine e que dizia assim: "Senhora, trinta e muitos, procura emprego em part-time . Transporte próprio. Qualquer coisa serve. Experiência anterior: bancária. Sabe dactilografar." Por baixo vinha o seu número de telefone.
Este tipo de anúncio, uma forma de iludir à lei, era usado para ofertas de contactos sexuais pagos, mas um funcionário superior, encarregado do caso descrevê-lo-ia como "totalmente ingénuo", acrescentando: "Todos nós sabemos que a frase "qualquer coisa serve"
 é tomada à letra, mas a grande ironia e tragédia deste caso é que nenhum subentendido podia estar mais longe da verdade. Mistress Backshall era uma mulher temente a Deus e aquele tipo de interpretação do seu anúncio nunca lhe ocorreria. Parece mais do que provável que a sua inocência (um atributo raro nesta época e na sua idade) pode tê-la levado a colar-se na posição de vítima.
Outros funcionários descreveram o caso de Josephine Backshall como o mais frustrante em que já haviam trabalhado, apesar de, tanto quanto possível, terem conseguido reconstituir aquele diário de morte.
Uns dias depois de Josephine ter posto o anúncio, telefonou um homem a oferecer-lhe trabalho como "modelo de cosméticos". Marcaram uma entrevista para dali a uma semana, a uns 18 quilómetro de casa de Josephine, em Witham, Essex, mas o homem não apareceu. Telefonou no dia seguinte para voltar a marcar o encontro e mais uma vez faltou. Duas semanas mais tarde o telefone tocou novamente e Josephine, muito contente, combinou nova entrevista.
Dessa vez encontraram-se e o "fotógrafo" tirou-lhe uma série de fotografias no relvado de sua casa durante o dia. Por essa altura já o marido de Josephine começava a desconfiar de que aquele trabalho em part-time não iria dar em nada, e ironicamente exprimira a sua leve dúvida sobre a autenticidade do fotógrafo, que prometia à mulher largas somas pelo que parecia ser um trabalho fácil, mas ela afastou esses receios dizendo que o homem parecia perfeitamente sincero e mesmo "bom rapaz".
O telefone voltou a tocar, na terça-feira, 29 de Outubro de 1974e foi combinado o encontro fatal. Josephine saiu de casa em Norfolk Close, Maldon, cerca das seis da tarde, dirigindo-se a Withman no seu Ford Cortina vermelho, de matrícula BVW 374L.
Os investigadores apuraram que foi vista na estrada de Witham's Colingwood, num parque de estacionamento, entre as seis e meia e as sete, e um transeunte disse que o carro devia ter avariado, porque ela tinha o capot aberto e olhava para o motor, junto à estrada do parque. Porém, pouco antes das sete, encontrou-se por certo com o assassino.
Há um vazio entre esse momento e três dias mais tarde, quando um trabalhador dos telefones fez a macabra descoberta do corpo numa vala em Bury Green, na divisória entre Essex e Hertfordshire.
O assassino não deixara qualquer pista e o superintendente da Polícia Jack Moulder mantém o dossier Josephine Backshall aberto, costumando comentar apenas: "Alguém, algures, deve conhecê-lo".